Imprimir

O que é ser professor na nova década da Educação

Escrito por sintese Ligado . Publicado em XIII Congresso

A tarde do segundo dia do XIII Congresso foi voltada para a reflexão do papel do professor na nova década da Educação. Para isso os debates foram iniciados pelas professoras Ângela Siqueira, da Universidade Federal Fluminense – RJ, Sônia Meire, da Universidade Federal de Sergipe e o professor Nemésio Álvares Silva, diretor do Colégio de Aplicação.

Ângela Siqueira fez um panorama das políticas neoliberais implantadas no Brasil e suas conseqüências para a Educação. “Na política neoliberal a Educação é vista como passível de se medir, na forma empresarial”, avaliou.

Fez críticas contundentes ao programa Amigos da Escola e da pregada autonomia das escolas. Pela atual política neoliberal adotada para as escolas têm autonomia para fazer parcerias com instituições privadas. “Como como não há recursos, os estabelecimento de ensino ficam obrigados a buscar parcerias o que acaba sendo prejudicial para a construção de uma escola pública de qualidade”, enfatizou Ângela.

A palestrante também contestou a universalização da Educação Básica. “É uma falácia dizer que todos os alunos tem acesso e podem permanecer na Educação Básica. Como podemos falar em universalização se dos 6 milhões de alunos que entram na 1ª série, somente 3 milhões chegam a 8ª série”, questiona.

Resistência

Sônia Meire, professora do Departamento de Educação da UFS, fez um panorama atual das vertentes educacionais adotadas tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. O panorama é preocupante.

A professora pontuou que vários aspectos dos dois panoramas estão sendo adotados no Brasil e em Sergipe. “Quem aqui não lembra da avaliação de desempenho implantada por João Alves e que foi rechaçada pelos professores”, relembrou. Para ela os trabalhadores da Educação não devem perder de vista a organização do trabalho.

A atual política educacional do fundo e a forma como o transporte escolar é utilizado não favorece a construção de uma escola pública voltada para a realidade das regiões.

A judicialização da Educação também foi um tema tratado por Sônia Meire. Ela avalia que atualmente a Controladoria Geral da União, o Tribunal de Contas da União querem controlar até que o professor ministra em sua sala de aula e isso não é salutar para a escola pública.

Ela voltou a frisar que para lutar contra isso os professores não podem perder de vista a organização no local de trabalho e a partir daí resistirem contra essa política. “Precisamos dizer qual é o nosso papel na construção deste país”, frisou.

O professor Nemésio Silva, diretor do Colégio de Aplicação - Codap, apresentou aos delegados a experiência do colégio que é de Educação Básica, ligado a Universidade Federal de Sergipe. “O Codap é um exemplo concreto para o bem e para o mal na Educação”. O colégio recebe os professores que estão em processo de formação na UFS, em nível de estágio.

O diretor do Codap criticou a falta de interação entre a academia e as escolas de Educação Básica, tomando como exemplo o próprio Codap. “Poucas vezes o Codap foi ao departamento de Educação ou as licenciaturas e a recíproca também é verdadeira, o que acaba gerando um fosso entre o que se ensina e o que se é colocado na realidade da Educação Básica”, afirmou.