Internacional SINTESE on line: notícias atualizadas sobre a luta dos trabalhadores em educação da rede pública de Sergipe http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional Fri, 21 Sep 2018 11:58:44 +0000 Joomla! - Open Source Content Management pt-br EUA temem investigação sobre crimes de guerra no Afeganistão http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7733-eua-temem-investigacao-sobre-crimes-de-guerra-no-afeganistao http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7733-eua-temem-investigacao-sobre-crimes-de-guerra-no-afeganistao

Publicado em Carta Maior

Em outro ato de prepotência imperial, os Estados Unidos ameaçaram prender e processar juízes e outros funcionários da Corte Penal Internacional (CPI) caso esta empreenda ações por crimes de guerra contra militares estadunidenses que invadiram e massacraram civis no Afeganistão.

John Bolton, assessor de Segurança Nacional estadunidense, afirmou que esta instância judiciária “está morta para nós”, qualificando-a como ilegítima e acusando-a de ser “ineficaz, irresponsável e francamente perigosa para os Estados Unidos, Israel e outros aliados”. Cabe aqui destacar que a corte internacional atacada por Bolton é a encarregada de julgar principalmente os crimes de guerra e de lesa humanidade denunciados internacionalmente.

“Vamos a impedir que estes juízes e promotores possam entrar nos Estados Unidos. Vamos aplicar sanções contra seus bens no sistema financeiro estadunidense e vamos iniciar ações contra eles em nosso sistema judicial”, advertiu.

Desde 2009, a invasão “aliada” causou mais de 27 mil mortes e quase 50 mil casos de feridos entre a população civil afegã. O último informe anual do Alto Comissionado de Direitos Humanos das Nações Unidas indica a maioria das 3,4 mil mortes e dos 7 mil feridos – o que dá um total de mais de 10 mil vítimas civis só no ano passado – foram causadas por ataques suicidas, artefatos explosivos, combates e ataques aéreos.

A guerra contra o “terrorismo” lançada em 2001, após os atentados de 11 de setembro em Nova York, deixou um total de 149 mil mortes diretas no Afeganistão e no Paquistão, segundo um relatório do Instituto Watson para os Estudos Internacionais, da Universidade de Brown, que também contabilizou os mortos por ataques de drones estadunidenses, chegando a uma cifra aproximada entre 1,9 mil e 3,8 mil (devido aos casos controversos), a maioria civis

“O certo é que os ataques de drones perturbam as vidas das pessoas, destroem infraestruturas e também trazem efeitos terríveis para os sobreviventes, afetando sua qualidade de vida, causando desnutrição, doenças e fomentando os deslocamentos massivos de pessoas”, manifestou a diretora do projeto, Neta C. Crawford.

“O custo humano desta horrível guerra – as mortes, a destruição e o imenso sofrimento – é alto demais”, assegurou Tadamichi Yamamoto, representante especial do Secretário Geral da ONU no Afeganistão.

Em um tácito reconhecimento dos crimes de guerra cometidos por seus próprios soldados e pelos mercenários a seu serviço – e também desconhecimento dos tratados internacionais – Bolton declarou, em visita à conservadora Sociedade Federalista, com sede em Washington, que seu governo fará “ o mesmo com qualquer companhia ou Estado que ajude a uma investigação da Corte Internacional contra os estadunidenses”.

Para os Estados Unidos, qualquer iniciativa sobre as ações de seus efetivos de segurança será considerada “uma investigação completamente infundada e injustificável”. Cabe recordar que em novembro de 2017, a promotora Fatou Bensouda, da Corte Internacional, anunciou que pediria aos juízes a autorização para investigar crimes de guerra cometidos no conflito armado afegão, principalmente por parte do exército estadunidense, que até hoje é quem encabeça a coalizão militar que, após derrubar o regime do talibã em 2001, mantém certo controle sobre algumas zonas do país.

Bolton, que foi embaixador de Washington na Organização das Nações Unidas (ONU) durante o governo de George W. Bush, disse que a principal objeção da administração de Trump é a ideia de que a Corte Internacional poderia ter maior autoridade que a Constituição dos Estados Unidos e sua soberania, uma alegação dirigida a insuflar o suposto “nacionalismo” dos cidadãos nas vésperas das eleições parlamentares, que podem deixar o governo sem maioria legislativa.

“A Corte poderia anunciar, a qualquer momento, a abertura de uma investigação formal contra esses patriotas estadunidenses”, explicou o conselheiro de Donald Trump, após a primeira mensagem ameaçadora ao tribunal, e completou: “utilizaremos todos os meios necessários para proteger os nossos concidadãos, e os dos nossos aliados, contra juízos injustos por parte desta corte ilegítima”.

A Corte Penal Internacional é regida pelo Estatuto de Roma, tratado ratificado por 123 países. Sua promotora está capacitada para abrir suas próprias investigações mesmo sem a permissão dos juízes, uma vez que os casos envolvam um país-membro – neste caso, o Afeganistão.

Paralelamente, o governo dos Estados Unidos anunciou, no mesmo dia, o fechamento da missão diplomática da Organização para a Liberação da Palestina (OLP) em Washington, ao acusar os palestinos de “não dar passos para avançar em negociações diretas e significativas com Israel”.

O governo palestino replicou, dizendo que se trata de uma represália à decisão de acusar Tel Aviv pelos crimes de guerra cometidos durante os ataques a Gaza, em 2014, e também os vinculados à colonização de territórios palestinos.

Ricardo Carnevali é doutorando em Comunicação Estratégica e investigador do Observatório em Comunicação e Democracia, associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)

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carolinesantos@oi.com.br (*Publicado em estrategia.la | Tradução de Victor Farinelli) Mundo Tue, 18 Sep 2018 08:53:24 +0000
Contratação de Cristiano Ronaldo pode levar a greve na Itália http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7693-contratacao-de-cristiano-ronaldo-pode-levar-a-greve-na-italia http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7693-contratacao-de-cristiano-ronaldo-pode-levar-a-greve-na-italia

Imagem de anúncio da Juventus sobre a contratação de astro português por quatro temporadas

O anúncio da contratação do atacante português Cristiano Ronaldo pela Juventus, de Turim, levou a central Unione Sindicale di Base (USB) a convocar uma greve de dois dias na fábrica do grupo FCA (Fiat Chrysler Automobiles) em Melfi, sul da Itália. Com aproximadamente 7 mil funcionários diretos, além de 3 mil ligados a fornecedores, e capacidade para fabricar 400 mil veículos por ano, a unidade produz o Fiat 500X e o Jeep Renegade.

Em nota, a USB afirma considerar "inaceitável" que a empresa há anos peça "enormes sacrifícios econômicos" aos trabalhadores da FCA e do CNHI, outra empresa do grupo, enquanto resolve gastar centenas de milhões de euros para contratar um jogador de futebol. De acordo com a imprensa internacional, a aquisição de Cristiano Ronaldo perante o Real Madrid atingiu € 100 milhões, aproximadamente R$ 450 milhões. Com o anúncio da paralisação, notícias de mercado reportam queda de valor nas ações do clube italiano.

De acordo com o comunicado da entidade sindical, a paralisação irá das 22h de domingo (15) às 6h de terça-feira (17). "Enquanto os trabalhadores e suas famílias apertam o cinto cada vez mais, a propriedade decide investir muito dinheiro em um único recurso humano", critica a USB, que questiona ainda a reação ao anúncio. "Discute-se com certo espanto sobre a decisão da greve, mais do que as razões apresentadas com muita clareza no comunicado." E acrescenta: "É justo isto, é normal que uma só pessoa ganhe milhões e milhares de famílias não consigam chegar até a metade do mês?".

A família Agnelli, que controla parte do grupo Fiat (o que inclui Ferrari e Chrysler), é dona do clube. Um dos herdeiros do império, Andrea Agnelli, é o atual presidente da Juventus. Segundo o jornal português Observador, foi Andrea que ontem "embarcou num jato privado, a partir do aeroporto de Pisa, rumo ao sul da Grécia, para se reunir com Cristiano Ronaldo". O contrato será por quatro temporadas, até 30 de junho de 2022.

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carolinesantos@oi.com.br (Rede Brasil Atual) Mundo Fri, 13 Jul 2018 03:16:58 +0000
'O problema da indústria não é a China, é o nosso sistema financeiro' http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7677-o-problema-da-industria-nao-e-a-china-e-o-nosso-sistema-financeiro http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7677-o-problema-da-industria-nao-e-a-china-e-o-nosso-sistema-financeiro

São Paulo – De "oficina do mundo" a uma das líderes da atual fase de inovações tecnológicas conhecida como indústria 4.0, a China continua a suscitar espanto e temor. Sua participação nas exportações mundiais foi multiplicada por 10 nas últimas três décadas, saltando de 1,2% para 12,1%, e, desde 2009, o país é o maior parceiro comercial do Brasil. As trocas comerciais entre os dois chegaram a US$ 58,5 bilhões, em 2016. 

Enquanto os chineses vêm expandindo a compra de ativos no Brasil, que vão desde a participação em terminais portuários para o escoamento de matérias-primas e alimentos rumo à China a empresa que gerencia aplicativo de táxis, cada vez mais empresários brasileiros vão ao Oriente e trazem para cá produtos manufaturados de todo o tipo.

A desculpa é que não é possível competir com o preço dos produtos industriais ofertado pelos chineses, que seria decorrência dos baixos salários e jornadas exaustivas dos trabalhadores. Contudo, a realidade é mais complexa. Ainda antes da dita "reforma" trabalhista do governo Temer, o custo do trabalho no país asiático já era 16% maior que o brasileiro. 

Para o geógrafo Vladmir Milton Pomar, que atua como consultor e palestrante sobre assuntos chineses há mais de 20 anos, o que diferencia a China não é mais o baixo custo da mão de obra, mas o planejamento estatal de longo prazo e massivos investimentos em infraestrutura e desenvolvimento tecnológico.

Segundo ele, não é a competição com os chineses a principal responsável pelo processo de desindustrialização brasileiro. De acordo com dados do IBGE, a participação da indústria no PIB caiu para 11,8% e é hoje a menor desde os anos 1950. Nos anos 1980, esse percentual chegou a superar a casa dos 20%.

O problema é o peso desproporcional ocupado pelo sistema financeiro no conjunto da economia brasileira. Além das altas taxas de juros cobradas pelos bancos, que dificulta a tomada de crédito para investimentos em produtividade, os empresários brasileiros decidiram fazer o caminho inverso. Retiram recursos da produção para investir na ciranda financeira, com lucros garantidos – ou quase.

"Há uma quantidade muito grande de empresas que vão até lá comprar e trazem os produtos para cá. Tem indústrias que vão lá para comprar máquinas e ferramentas, de modo a reduzir o custo de produção no Brasil. E tem indústrias que vão para fabricar lá. Esses caminhos que os empresários brasileiros têm feito são sempre para desindustrializar", aponta Pomar. 

"A lógica é ganhar dinheiro. Se aqui no Brasil consigo lucrar 3%, e produzindo na China e vendendo aqui consigo 10%, dane-se o emprego no Brasil. Cada um vai pensando exclusivamente no seu caso, e vai matando não só o mercado consumidor como cria uma situação de empobrecimento do país", complementa.

Infraestrutura

Para competir com os chineses e inclusive ter acesso ao seu mercado consumidor, é preciso que o Brasil invista em infraestrutura, diz o especialista. "Se pegar os países continentais – Rússia, China, Canadá, Estados Unidos e Brasil –, todos têm malha ferroviária enorme, menos o Brasil. Não se transporta nada grande e pesado, com custo baixo, que não seja via fluvial ou ferrovia."

Os 30 mil quilômetros da malha ferroviária brasileira são comparáveis, por exemplo, aos da Itália, que tem dimensões similares ao estado do Maranhão. Já a China, com proporções comparáveis ao Brasil, a malha viária ultrapassa os 120 mil quilômetros, quatro vezes maior que a nossa. 

"É evidente que a gente sempre vai ter um custo maior na hora de colocar a mercadoria no porto, ou, quando importa, para internalizar a mercadoria. Com isso, a gente tem uma perda de 20 a 30% no que importa e exporta. Vale para o agronegócio, para madeira, minério", aponta.

Financeirização

Outro problema para competir no mercado internacional, segundo Pomar, é o "custo do dinheiro" no Brasil. Não bastassem as altas taxas de juros cobradas pelos principais bancos privados, o atual governo vem promovendo o esvaziamento do BNDES, e o fim da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) complica ainda mais a oferta de crédito para o setor produtivo. "Estamos completamente desarmados para nos relacionar com a China."

Enquanto isso, a China vem expandindo as suas ferramentas de crédito, com o fortalecimento do Banco de Desenvolvimento da China (equivalente ao nosso BNDES), além do Banco Asiático de Desenvolvimento e do banco dos Brics. Mesmo os bancos considerados privados da China têm um mínimo de 50% de participação estatal.

"Temos uma taxa de juros no rotativo do cheque especial que chega a 380% ao ano. No cartão de crédito, de 540%. Isso não existe em lugar nenhum no mundo. Mas parece que, por aqui, todo mundo já se acostumou, porque já existe há tanto tempo que ficamos sem vergonha. Não tem como o setor industrial do Brasil sair do lugar tendo um custo financeiro como esse."

Industriais especuladores

A situação fica ainda mais grave, pois, de acordo com Pomar, os empresários brasileiros se acomodaram com essa situação de transferir o máximo possível da sua produção para a China, e não o fazem mais de maneira improvisada ou temporária, mas como parte de um projeto liderado pelas principais entidades representativas do setor.

"Não são ações de improviso, são ações coordenadas pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). Esses caras vão a feiras na China para comprar, visitar empresas, acertar a produção, e essas viagens são promovidas pelo centro internacional de negócios da CNI. É um crime o que esses caras estão fazendo, desde 2004 pelo menos. É uma situação aberrante."

Mais aberrante ainda é que os industriais brasileiros não têm plano de médio ou longo prazo para mudar esse cenário. "Alguém já viu industrial ou comerciante protestar contra a taxa de juros?", indaga Pomar. A resposta, segundo ele, é que "a burguesia industrial brasileira é muito mais rentista que empresarial. Essa é a questão. Enquanto tivermos um setor da economia predando os demais, a gente não vai para frente." 

Ele cita levantamento apontando que, das 500 maiores empresas brasileiras, 254 tinham auferido a maior parte dos seus lucros com operações financeiras, e não com a produção.  "Quando a gente vê um país em que as empresas deixam de ganhar dinheiro com a sua atividade-fim e passam a lucrar no cassino financeiro, aí nós estamos fritos. A questão não é a China, ou qualquer outro país. A questão é aqui. Não temos transporte ferroviário, nem fluvial, e nós temos um setor empresarial que ganha mais dinheiro com operações financeiras do que na sua atividade-fim. Se não resolver isso, não vamos concorrer com a China, e a desindustrialização vai continuar."

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carolinesantos@oi.com.br (Tiago Pereira - RBA) Mundo Thu, 21 Jun 2018 04:58:30 +0000
Papa critica golpe, condenação de pessoas caluniadas e manipulação da mídia http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7645-papa-critica-golpe-condenacao-de-pessoas-caluniadas-e-manipulacao-da-midia http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7645-papa-critica-golpe-condenacao-de-pessoas-caluniadas-e-manipulacao-da-midia

Sem citar o Brasil ou os nomes dos ex-presidentes Lula e Dilma, o Papa Francisco falou sobre manipulação, instrumentalização do povo, criação de “um ambiente de falsa unidade”, que usa a intriga para condenar uma pessoa, depois, “a unidade se desfaz”.

A liturgia, que contém uma dura critica aos golpes de estado, foi lida na manhã desta quinta-feira (17), na missa em Santa Marta, que o papa preside sempre que está no Vaticano.

O Papa comparou as perseguições a Jesus, São Estevão e São Paulo às que ocorrem na "a vida civil”. Segundo ele, na “vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado, a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas". Depois chega a Justiça, "as condena e, no final, se faz um golpe de Estado". Uma perseguição que se vê também quando as pessoas no circo gritavam para ver a luta entre os mártires ou os gladiadores.

A seguir a íntegra da reportagem do Vatican News, serviço de informação da Igreja Católica:

Na missa celebrada esta quinta-feira (17/05) na Casa Santa Marta, o Papa Francisco dedicou a sua homilia ao tema da unidade, inspirando-se na Liturgia da Palavra.

Existem dois tipos de unidade, comentou o Pontífice. A primeira é a verdadeira unidade de que fala Jesus no Evangelho, a unidade que Ele tem com o Pai e que quer trazer também a nós. Trata-se de uma "unidade de salvação", "que faz a Igreja", uma unidade que vai rumo à eternidade. "Quando nós na vida, na Igreja ou na sociedade civil trabalhamos pela unidade, estamos no caminho que Jesus traçou", disse Francisco.

A falsa unidade divide

Porém, há uma "falsa unidade", como aquela dos acusadores de São Paulo na Primeira Leitura. Inicialmente, eles se apresentam como um bloco único para acusá-lo. Mas Paulo, que era "sagaz", isto é, tinha uma sabedoria humana e também a sabedoria do Espírito Santo, lança a "pedra da divisão", dizendo estar sendo julgado pela esperança na ressurreição dos mortos".

Uma parte desta falsa unidade, de fato, era composta por saduceus, que diziam não existir "ressurreição nem anjo nem espírito", enquanto os fariseus professavam esses conceitos. Paulo então consegue destruir esta falsa unidade porque eclode um conflito e a assembleia que o acusava se divide.

De povo a massa anônima

Em outras perseguições sofridas por São Paulo, se vê que o povo grita sem nem mesmo saber o que está dizendo, e são "os dirigentes" que sugerem o que gritar:

Esta instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje. Pensemos nisso. O Domingo de Ramos é: todos ali aclamam "Bendito o que vem em nome do Senhor". Na sexta-feira sucessiva, as mesmas pessoas gritam: "Crucifiquem-no". O que aconteceu? Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói.

Intrigar: um método usado também hoje

"Criam-se condições obscuras" para condenar a pessoa, explicou o Papa, e depois a unidade se desfaz. Um método com o qual perseguiram Jesus, Paulo, Estevão e todos os mártires e muito usado ainda hoje. E Francisco citou como exemplo "a vida civil, a vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado": "a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas". Depois chega a justiça, "as condena e, no final, se faz um golpe de Estado". Uma perseguição que se vê também quando as pessoas no circo gritavam para ver a luta entre os mártires ou os gladiadores.

A fofoca é uma atitude assassina

O elo da corrente para se chegar a esta condenação é um "ambiente de falsa unidade", destacou Francisco.

Numa medida mais restrita, acontece o mesmo também nas nossas comunidades paroquiais, por exemplo, quando dois ou três começam a criticar o outro. E começam a falar mal daquele outro... E fazem uma falsa unidade para condená-lo; sentem-se seguros e o condenam. O condenam mentalmente, como atitude; depois se separam e falam mal um contra o outro, porque estão divididos. Por isso a fofoca é uma atitude assassina, porque mata, exclui as pessoas, destrói a "reputação" das pessoas.

Caminhar na estrada da verdadeira unidade

"A intriga" foi usada contra Jesus para desacreditá-lo e, uma vez desacreditado, eliminá-lo:

Pensemos na grande vocação à qual fomos chamados: a unidade com Jesus, o Pai. E este caminho devemos seguir, homens e mulheres que se unem e buscam sempre prosseguir no caminho da unidade. E não as falsas unidades, que não têm substância, e servem somente para dar um passo a mais e condenar as pessoas, e levar avante interesses que não são os nossos: interesses do príncipe deste mundo, que é a destruição. Que o Senhor nos dê a graça de caminhar sempre na estrada da verdadeira unidade.

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carolinesantos@oi.com.br (Redação CUT) Mundo Thu, 17 May 2018 09:16:57 +0000
Agência norte-americana acaba com neutralidade de rede na internet do país http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7519-agencia-norte-americana-acaba-com-neutralidade-de-rede-na-internet-do-pais http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7519-agencia-norte-americana-acaba-com-neutralidade-de-rede-na-internet-do-pais

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) revogou hoje (14) a norma que instituía a obrigação da neutralidade de rede para operadoras de telecomunicações. Por três votos a dois, o colegiado, de maioria republicana, seguiu a diretriz do governo de Donald Trump de eliminar essa regulação, aprovada sob a administração de Barack Obama em 2015.

A neutralidade de rede é um princípio segundo o qual as empresas que controlam infraestruturas de telecomunicações por onde ocorre o tráfego de dados da internet – cabos de telefone, de TV paga, satélites, antenas de transmissão de sinal de celular – não podem tratar de forma discriminatória as informações que circulam nesses espaços.

Em outras palavras, uma operadora de telefonia que também controla banda larga não pode deixar lenta ou ruim a conexão de um usuário que utilize a rede para se conectar a um serviço online de chamadas, como o Skype.

Ou seja, independentemente de o usuário usar a rede para enviar um e-mail, carregar um vídeo ou acessar um site, não pode haver privilégio ou prejuízo a nenhuma dessas informações, ou “pacotes de dados” específicos. Por essa regra, as detentoras das redes também não podem celebrar acordos comerciais com sites, aplicativos ou plataformas para que seus conteúdos sejam privilegiados e cheguem mais rapidamente a seus clientes.

A norma sobre neutralidade de rede aprovada em 2015 pela FCC determinava três exigências às operadoras: não bloquear o acesso a sites ou aplicativos, não degradar o sinal (qualidade do tráfego) de conteúdos ou serviços e não fazer qualquer tipo de favorecimento motivado por acordo econômico. O entendimento na ocasião foi de que a neutralidade é fundamental para que o interesse econômico das operadoras não prejudicasse o acesso a informações na web nem criasse um fosso entre aqueles que poderiam pagar por planos completos e caros e aqueles que ficariam nos pacotes básicos.

Regulação “leve”

O diretor da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Ajit Pai, ex-executivo de empresas de telecomunicações, argumentou que a decisão coloca a oferta de acesso à banda larga sob regulação “leve”, que deve promover a competição e ajudar os consumidores. “Operadoras de banda larga vão ter incentivos maiores para construir redes, especialmente em áreas não atendidas, e maior concorrência, possibilitando que startups e gigantes da internet tenham mais canais para oferecer seus serviços”.

Durante a sessão, a conselheira Mignon Clyburn, ligada ao partido Democrata, reprovou a supressão da regra. “O que me deixa mais triste é que a agência que devia proteger os cidadãos norte-americanos é a que agora está abandonando essas pessoas”. O conselheiro Brendan Carr, de orientação republicana, se disse “feliz” por encerrar o que classificou como “experimento de regulação pesada e exagerada” sobre a rede e afirmou que a medida não interfere na inovação ou no direito dos consumidores.

Reações

O inventor do protocolo WWW, Tim Berners-lee, criticou fortemente a decisão da comissão norte-americana. “Ao revogar a neutralidade de rede, a FCC abriu o caminho em direção a um dramático giro de como a Internet funciona nos Estados Unidos. Em vez de preservar a internet como um mercado livre de ideias, a FCC deu a um conjunto de conglomerados o poder de decidir o que vive e o que morre online - ignorando os milhões de americanos que se pronunciaram pela proteção da neutralidade de rede”.

Professor da Faculdade de Direito de Columbia e um dos idealizadores do conceito de neutralidade de rede, Tim Wu rebateu os argumentos dos conselheiros republicanos da FCC. “A revogação da neutralidade de rede não tem nada de regulação leve. Ela significa deixar às operadoras de cabo e telefonia fazerem o que quiserem”.

A organização Free Press, uma das líderes do movimento pela aprovação da norma em 2015, também contestou os argumentos do diretor da FCC e afirmou que a neutralidade de rede não reduziu investimentos em áreas pouco atendidas ou dificultou a oferta de acesso à internet pelas operadoras, pelo contrário, incentivou o setor.

O ex-integrante da comissão Michael Copps alertou que a alteração vai deixar usuários reféns das operadoras de telecomunicações. “A FCC está jogando os internautas nas mãos de poucos conglomerados que irão filtrar pontos de vista alternativos”, ponderou.

Nenhuma das principais operadoras de acesso à internet nos Estados Unidos (AT&T, Comcast, Verizon e Tmobile) se manifestou sobre a medida em seus sites ou perfis nas redes sociais. A empresa Netflix, por meio de sua conta oficial no Twitter, lamentou a decisão da FCC e afirmou que a mudança interrompe uma era de criatividade, inovação e engajamento cívico inaugurada com a neutralidade de rede aprovada em 2015.

Próximos passos

A rede pública de televisão dos Estados Unidos, PBS, noticiou que os procuradores-gerais de Nova Iorque, Eric Schneiderman, e de Washington, Bob Ferguson, anunciaram a intenção de entrar na Justiça com um pedido de anulação da votação na FCC.

Parlamentares do Partido Democrata já informaram que levarão a disputa para o Congresso. O representante Mike Coffmann, do Colorado, anunciou que apresentará um projeto de lei sobre o tema voltado a restabelecer o princípio nas bases da norma aprovada em 2015.

O também democrata senador Ed Markey, do estado de Massachusetts, informou que irá entrar com um Congressional Review Act (Ato de Revisão do Congresso), uma espécie de recurso, para invalidar a decisão da Comissão Federal de Comunicações.

Outra estratégia em estudo por democratas e ativistas é a apresentação de propostas legislativas em parlamentos estaduais de modo a assegurar a neutralidade de rede nesses locais. Organizações da sociedade civil como a Associação para as Liberdades Civis da América (ACLU, na sigla em inglês) e o movimento People Power (Poder do Povo) já anunciaram movimentos de articulação com representantes estaduais para a apresentação desse tipo de projetos.

Edição: Luana Lourenço

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carolinesantos@oi.com.br (Jonas Valente - Repórter da Agência Brasil) Mundo Fri, 15 Dec 2017 03:49:15 +0000
Atentado na Somália é resultado de conflito histórico e aliança com EUA http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7439-atentado-na-somalia-e-resultado-de-conflito-historico-e-alianca-com-eua http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7439-atentado-na-somalia-e-resultado-de-conflito-historico-e-alianca-com-eua

Ataque que matou mais de 600 pessoas é fruto da instabilidade da política somali. Para professora, invisibilidade de conflitos na África atesta indignação seletiva do mundo com dor e sofrimento

São Paulo – Queda de ditador na década de 1990, invasão da Etiópia e aliança com o governo de Donald Trump. Esses são os três principais fatores apontados pela doutora em Relações Internacionais Marta Fernández, professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, para explicar o conflito histórico na Somália, que sofreu um dos atentados mais violentos de todos os tempos, deixando mais de 500 vítimas (entre mortos e feridos), no último sábado (14). 

De acordo com a professora, para entender o maior atentado da história da Somália é preciso voltar ao passado, desde a queda do ditador Siad Barre, em 1991, que resultou em guerra civil. De lá para cá, houve intervenções dos Estados Unidos, da ONU e a construção de governos, porém com institucionalidade frágil.

Segundo a especialista, o grupo terrorista Al Shabab, a quem é atribuído o ataque do último sábado, só ganhou força por causa dessa fragilidade. "Esse ambiente de instabilidade funcionou como terreno fértil para a ascensão do terrorismo a Somália. Muitos jovens, que fazem parte do Al Shabab, nasceram e cresceram nesse contexto instável", explica. 

Marta conta que o grupo terrorista também é oriundo do caos político do país. Criado em 2006, o Al Shabab surge quando a Etiópia fez uma intervenção na Somália. "Houve uma invasão da Etiópia apoiada pelos Estados Unidos. A partir daí a União das Cortes Islâmicas foi deposta e surge a Al Shabab, que vem a ser uma facção das Cortes, que se radicaliza e mobiliza a sociedade na luta contra a Etiópia."

A aliança do atual presidente da Somália, Mohamed Abdullahi Mohamed, com o líder americano Donald Trump é mais um dos pilares da explosão do caminhão-bomba, em Mogadíscio, capital somali. Para a professora, o atentado pode ser uma "reação à política ineficaz de combate ao terrorismo". Em agosto, o governo norte-americano realizou um ataque à cidade de Bariire, deixando dezenas de mortos. "Há boato de que o autor do atentado veio desta região", diz.

A Somália é um dos países presentes no veto migratório idealizado por Trump, que proíbe a entrada de cidadãos de oito países aos Estados Unidos. Além disso, em abril, o presidente norte-americano enviou dezenas de tropas para o país africano.

"Por mais que a Al Shabab tenha entrado numa guerra global contra o Ocidente (ao se aliar com a Al Qaeda), a princípio, a orientação é nacional, com o objetivo de derrubar um governo que eles consideram 'fantoche dos Estados Unidos'", explica.

Sem mídia 

Desde o ataque do último dia 14, repercutiu nas redes sociais a falta de cobertura midiática e a baixa comoção da sociedade. Para a doutora em Relação Internacionais, há uma seletividade em relação aos conflitos do mundo. "Houve uma invisibilização. Parece que a dor e sofrimento do Ocidente é mais digna de atenção do que a dos países africanos", lamenta.

Segundo ela, a falta de cobertura pode ser explicada por pelos preconceitos sobre a Somália, por se tratar de um país pobre, negro e muçulmano. "Há uma visão negativa e preconceituosa sobre os somalis, o que explica essa pouca repercussão", conta. 

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carolinesantos@oi.com.br (Felipe Mascari, da Rede Brasil Atual) Mundo Fri, 20 Oct 2017 06:16:27 +0000
Intercâmbio entre Brasil e Haiti se aprofunda mesmo com fim de missão http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7438-intercambio-entre-brasil-e-haiti-se-aprofunda-mesmo-com-fim-de-missao http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7438-intercambio-entre-brasil-e-haiti-se-aprofunda-mesmo-com-fim-de-missao

Bob, 42 anos, estabeleceu sua família no Rio de Janeiro

Comer um prato típico do Haiti no Brasil ou torcer para um time de haitianos no Campeonato Carioca parecia improvável em 2004, quando tropas brasileiras chegaram a Porto Príncipe para liderar a Missão de paz da ONU. Treze anos depois, as relações bilaterais vão além do apoio militar.

Robert Montinard, 42 anos, chegou ao Rio de Janeiro com a família no Natal de 2010, meses após ver sua casa desabar no terremoto que sacudiu a capital haitiana em janeiro daquele ano, deixando cerca de 250 mil mortos e ao menos 1,5 milhão de desabrigados. 

"É mais fácil se adaptar no Brasil do que na Europa, nos Estados Unidos. Temos uma cultura e uma história parecidas, com o passado de escravidão, o futebol, o carnaval. Parece Porto Príncipe, o haitiano se sente bem aqui", compara Montinard, que prefere ser chamado de Bob. 

Ele e a mulher, a francesa Mélanie, 34 anos, conseguiram salvar o filho, Bimba, de 8, dos escombros. Lula, de 9, fruto de um relacionamento anterior de Bob, passou três dias soterrado na casa da mãe haitiana até ser salvo e hoje vive com o pai. 

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A tragédia deixou sequelas físicas – Bob quebrou o pé esquerdo e perdeu parte dos movimentos – e psicológicas, que levaram a família a deixar o país. "Operei o pé na França e lá o médico me falou que a melhor fisioterapia do mundo era a do Brasil. No Haiti não tem fisioterapia, então eu vim", conta Bob.

Sete anos depois, ele recuperou os movimentos, aprendeu português e mora com a família em um apartamento na Glória, zona sul do Rio.

Sem esquecer os desafios de se chegar a um lugar desconhecido, Bob criou com Mélanie o projeto Mawon, que atende haitianos recém-chegados, e migrantes de qualquer lugar do mundo ou brasileiros de outros estados que precisem de ajuda – de informações sobre como tirar documentos ou conseguir atendimento médico a onde obter cestas básicas. 

O projeto quer ir além da assistência e integrar os migrantes à sociedade através da cultura. "Sonhamos com um mundo sem fronteiras", diz Bob. 

Para encurtar distâncias, ele faz palestras sobre a história de seu país, promove oficinas de música e dança caribenha em escolas públicas, participa de feiras gastronômicas e visita unidades de saúde para explicar aos funcionários as palavras mais usadas pelos haitianos que buscam atendimento médico.

"O grande barato da imigração é como ela pode contribuir para a sociedade brasileira. Há uma nova leva de imigrantes trazendo uma cultura nova que sem dúvida vai enriquecer ainda mais a brasileira", explicou à AFP o professor de Relações Internacionais da UERJ Maurício Santoro.

Brasileiros no Haiti

Bob e sua família não foram os únicos a migrar para o Brasil após o terremoto de 2010. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), foram concedidos 49.723 vistos humanitários pela embaixada brasileira em Porto Príncipe de 2012 ao final de 2016. 

A validade desses vistos expira este mês, coincidindo com o fim da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), mas o MRE informou à AFP que "a intenção do governo brasileiro é de dar continuidade à atuação brasileira de caráter humanitário no Haiti". 

Ainda que em proporção menor, brasileiros também migraram para o país caribenho.

Desde 2006, cerca de 70 militantes do Movimento dos Sem Terra (MST) cooperaram com haitianos na área rural do país, com projetos variados, da produção de sementes ao reflorestamento, da canalização de água à reconstrução de um centro agroecológico. 

"Hoje temos cinco militantes no Haiti. As principais atividades seguem sendo a solidariedade aos movimentos nos temas da formação com jovens e mulheres", resumiu o MST à AFP.

empresa social Viva Rio, no Haiti desde 2006, tampouco planeja partir. Cinquenta e seis funcionários, três deles brasileiros, gerenciam "projetos que passaram por muita dificuldade, mas que agora estão florescendo", diz seu diretor-executivo, Rubem César Fernandes.

Entre eles destaca-se o "Pérolas Negras", escolinha de futebol nos arredores de Porto Príncipe que recebe cerca de 150 meninos e meninas a partir de 11 anos. 

Aos 16 anos, os mais talentosos vêm treinar no Brasil e podem integrar o time profissional de mesmo nome que disputa a série C do Campeonato Carioca. 

"O futebol gera um ambiente mais livre em relação aos imigrantes do que a sociedade em geral", diz Fernandes, que acredita que essa abordagem cultural através do futebol – uma paixão comum aos dois povos – favorece as relações bilaterais. 

Para Santoro, a troca entre brasileiros e haitianos é extremamente positiva. "A saída da Minustah não vai extinguir a aproximação dos dois países. Parte das relações internacionais brasileiras é feita pela sociedade civil, que muitas vezes é mais dinâmica e criativa do que a nossa política externa”. 

No que depender de haitianos e brasileiros, este intercâmbio só tende a crescer.

*Leia mais na AFP

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carolinesantos@oi.com.br (AFP) Mundo Fri, 20 Oct 2017 05:54:07 +0000
A crueldade ideológica da mídia: mortos do avião russo eram cantores e dançarinos http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7094-fernando-brito-tijolaco http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/7094-fernando-brito-tijolaco

Com toda a razão, ficamos todos emocionados quando jogadores de futebol da Chapecoense perderam a vida na queda de seu avião na Colômbia.

Mas é inexplicável que, na cobertura de um acidente semelhante, no Mar Negro, tenha-se de ler quatro parágrafos da Folha  antes de saber que os “militares” que o “avião militar” russo que despencou na decolagem eram de algo descrito como” Alexandrov Ensemble, banda militar que iria participar das celebrações de fim de ano na base russa”.

Não é uma banda, é um coral e um grupo de bailarinos.

E não ia “participar das celebrações de fim de ano na base russa”, mas iria para Aleppo, fazer parte dos festejos da libertação da cidade síria de grupos fanáticos.

Era um bando de meganhas truculentos, não é?

Ledo engano.

Olhe no vídeo e veja o que era a Alexandrov Ensemble, a tal “banda militar”.

https://youtu.be/qMQL7PYNOPc

Um pequeno exemplo da guerra ideológica que a burrice teima em não  encerrar.

Assista aum dos espetáculos dos “ferozes comunistas” que morreram hoje no acidente e tente imaginar como, se não fossem russos, todos estariam lamentando a morte de gente da arte, da boa vontade, da alegria.

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carolinesantos@oi.com.br (Fernando Brito - Tijolaço) Mundo Mon, 26 Dec 2016 10:58:16 +0000
O que aconteceu na Turquia? Por que os militares tentaram tomar o poder? http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/6890-o-que-aconteceu-na-turquia-por-que-os-militares-tentaram-tomar-o-poder http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/6890-o-que-aconteceu-na-turquia-por-que-os-militares-tentaram-tomar-o-poder

O que aconteceu? O que precisamos saber?

Na noite de 15 de julho, um grupo de soldados turcos assumiu o controle de várias instituições em Istambul e Ancara, no que parece ter sido uma tentativa de golpe mal planejada. As forças policiais – auxiliadas por um grande número de cidadãos ordinários turcos– conseguiram frustrar o golpe. Chamados às ruas pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, enormes grupos de homens tomaram as ruas para impedir as unidades do exército de entrarem em prédios governamentais. O golpe foi declarado encerrado na manhã do dia 16 de julho.

Então, o povo turco apoia o presidente Erdogan?

Graças a uma longa história de golpes militares, o ódio do povo turco a intervenções militares é muito maior do que sua aversão ao seu líder autocrático. Turcos de todos os espectros políticos compartilham o mesmo sentimento de que até uma péssima democracia é melhor do que um governo militar.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, no enterro de um morto durante a tentativa de golpe de Estado da última sexta-feira (Foto: Agência Efe)
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, no enterro de um morto durante a tentativa de golpe de Estado da última sexta-feira (Foto: Agência Efe)

Por que os militares tentaram tomar o poder?

A explicação muda de acordo com em quem você escolhe acreditar.

Uma declaração supostamente feita pelos militares alega que seu propósito era “reinstituir a ordem constitucional, a democracia, os direitos humanos e as liberdades”. Porém, o presidente Erdogan e sua rede midiática pró-governo bombardearam o povo turco com alegações de que o golpe foi obra de um grupo clandestino, que teria infiltrado todos os órgãos estatais, organizado por um clérigo muçulmano chamado Fethullah Gülen, que é aposentado e vive na Pensilvânia. Pouca evidência sólida dessa conspiração foi apresentada até o momento.

Gülen negou qualquer envolvimento. De fato, ele e outros grupos oposicionistas alegam que o golpe foi, na verdade, orquestrado por Erdogan como desculpa para subjugar a oposição política e definitivamente mudar o sistema governamental da Turquia para uma presidência executiva (o que, na prática, tornaria Erdogan um sultão moderno). Essa explicação também não é inteiramente convincente – a alegação de que Erdogan planejou um falso golpe contra seu próprio governo para extirpar a oposição de dentro do exército e do Supremo Tribunal é muito grande para se levar em conta.

O que o povo turco acha?

A Turquia está extremamente polarizada. Metade a população acredita em qualquer coisa que o presidente diga, enquanto a outra metade tende a acreditar no oposto. Posições a favor e contra o regime de Erdogan tornaram-se tão enraizadas que não há como convencer qualquer lado com evidência e lógica.

Erdogan é como quiabo: algumas pessoas o amam intensamente; para outras, ele é nojento. Ninguém na Turquia é imparcial quando se trata do presidente.

De onde vem essa divisão na opinião pública?

Clivagens sociais tradicionais na Turquia incluem religiosos contra laicos, turcos contra curdos e periferias pobres contra centros urbanos ricos. Junto com a Primavera Árabe e a investigação de corrupção de 2013, surgiu uma nova cisão: pró-Erdoganismo e anti-Erdoganismo.

O ponto culminante dessa separação ocorreu em maio de 2013. Erdogan queria demolir um parque da era republicana na praça Taksim de Istambul e reconstruir um quartel da era otomana, que também incluía uma mesquita. Apesar de a Praça Taksim ser um símbolo do kemalismo secular de esquerda, muitas pessoas religiosas juntaram-se ao que, depois, ficou conhecido como a Revolta do Parque Gezi para preservar o parque como ele é. Naquele momento, secularistas, kemalistas, curdos, alevitas e grupos religiosos – incluindo o Movimento Gülen – cristalizaram sua coalizão contra Erdogan.

Infelizmente, esse setor da sociedade turca só é capaz de concordar em sua oposição a Erdogan, e em nada mais. Portanto, eles não foram capazes de criar uma aliança política que pudesse diminuir o forte controle dele sobre o poder.

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Qual é a história por trás disso?

Até a Primavera Árabe, Erdogan era um líder admiravelmente democrático. Porém, após o início da Primavera Árabe em 2011, ele começou a acusar a Europa, a América e Israel por seu envolvimento no mundo muçulmano. Ele agradou às multidões descontentes nas ruas árabes e começou a se comportar como um líder não eleito do mundo muçulmano – ele era quase um califa não declarado. O eixo da Turquia começou a se mover para longe do Ocidente em direção às ditaduras do Oriente Médio.

Em dezembro de 2013, um grupo de procuradores públicos e policiais começou uma grande investigação de corrupção relacionada à lavagem de dinheiro iraniano e à evasão de sanções internacionais contra o Iran. Reza Zarrab, um turco-iraniano que, no momento, está detido nos EUA sob acusações de conspiração para violar sanções contra o Iran, estava supostamente envolvido.

Agência Efe

Manifestantes antigolpe sobem em tanque em Istambul, na noite da sexta-feira (15/07)

Erdogan afirmou que essa investigação foi uma conspiração contra ele orquestrada por “poderes estrangeiros” e pelo movimento religioso liderado pelo clérigo muçulmano Fethullah Gülen, e lançou uma caça às bruxas contra traidores dentro da polícia e do Judiciário. Nos três anos seguintes, novos tribunais, com apenas um juiz, foram criados para simplificar os processos contra figuras críticas e dissidentes, jornais e canais de televisão foram tomados, e cerca de 3.000 jornalistas perderam seus empregos.

De onde vêm todos esses golpes e teorias da conspiração?

Após uma série golpes militares reais no passado, o povo turco agora reage a qualquer sinal de intervenção militar com a mesma preocupação imediata de um paciente pós-câncer que descobre um pequeno nódulo.

A alergia deles a ações militares no governo tem sido explorada por Erdogan – ele tende a enquadrar qualquer agitação pública como tentativa de golpe. Em 2001, Erdogan foi preso pelo regime laico por causa de um poema recitado por ele, isso fez dele um herói nas ruas. Porém, muitos afirmam que essa prisão foi um show desenhado para torná-lo popular aos olhos do público. Em 2007, os militares tentaram interferir nas eleições presidenciais por meio de um e-memorando, e Erdogan venceu. Ele é um homem cuja reputação cresceu em cada adversidade aparente.

Em 2013, ele acusou a Revolta do Parque Gezi de ser uma tentativa de golpe. Ele disse o mesmo sobre a investigação de corrupção daquele ano. E até afirmou o mesmo, em fevereiro deste ano, quando aldeões de uma remota cidade de Artvin protestaram contra a abertura de minas de ouro em seu vilarejo. Dessa vez, Erdogan está manipulando os mesmos sentimentos para demonizar seu arqui-inimigo, Fethullah Gülen.

Agência Efe

Parlamento turco, em Ancara, ficou danificado após ser bombardeado

O que vai acontecer agora?

Com o governo aparentemente de volta ao controle, Erdogan já ganhou. Sem dúvida, há esforços sendo realizados para silenciar todos os grupos de oposição em nome da segurança nacional, incluindo qualquer mídia local ou nacional que não é abertamente pró-governo.

A partir de agora, não haverá qualquer oposição significativa a essa caçada a grupos oposicionistas. Em 16 de julho, o Ministro do Interior declarou que 2.839 oficiais militares que supostamente eram membros do Movimento Gülen, incluindo dezenas de generais, foram presos. O Supremo Conselho de Juízes e Procuradores demitiu 2.745 juízes e procuradores, incluindo dez de seus próprios membros. O Chefe do Estado-Maior, que havia resistido a pedidos anteriores de Erdogan para limpar o exército, agora cedeu. Abundam rumores de outras detenções.

Uma coisa é certa: o número de pessoas detidas chegará a dezenas de milhares até o fim da próxima semana.

(*) Kerim Balci é editor do Turkish Review, uma revista acadêmica bimestral. Ele também é colunista dos jornais Zaman, que têm ligação com o movimento Hizmet, de Fethullah Gülen. Este texto foi originalmente publicado em inglês aqui.

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Mundo Mon, 18 Jul 2016 02:38:16 +0000
Oito professores e um jornalista morrem após forte repressão em Oaxaca, no México http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/6862-oito-professores-e-um-jornalista-morrem-apos-forte-repressao-em-oaxaca-no-mexico http://www.sintese.org.br/index.php/panorama/internacional/6862-oito-professores-e-um-jornalista-morrem-apos-forte-repressao-em-oaxaca-no-mexico

 

Foto: Resumen Latinoamericano

Polícia mata oito professores; há 22 desaparecidos

Trabalhadores que integram a Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) do Mexico iniciaram, no último dia 15 de maio, após três anos de luta, uma greve geral para dizer não a reforma educacional proposta pelo governo do presidente Enrique Peña Nieto, que prevê cortes nos direitos trabalhistas. Segundo Graciela Rangel Santiago, responsável de relações exteriores da CNTE, a luta dos docentes é contra uma reforma que “não tem nada de educativa”.

Em contato com o Brasil de Fato, Graciela explicou que a CNTE resistirá incansavelmente contra essa proposta, que pretende atacar os direitos conquistados.

A greve dos professores atinge 28 dos 32 estado mexicanos, mas se concentra nos estados do sul, em Chiapas, Oaxaca e Michoacan. No domingo (19), forças da polícia estadual de Oaxaca e a polícia federal mexicana se dirigiram à Asunción Nochixtlán, município próximo a capital oaxaqueña, para despejar os professores que bloqueavam a estrada Oaxaca-México como forma de protesto. 

De acordo com o jornal La Jornada, a operação repressiva começou por volta das 10:30h e se estendeu até o inicio da noite, deixando como saldo 6 mortos, mais de 90 feridos e 21 detidos. A ação policial, que contou com armas de fogo, bombas de gás lacrimogênio, helicópteros e centenas de agentes, fez da estrada um campo de batalha. Os manifestantes resistiram, com o apoio de pais, alunos e pessoas contrárias à reforma, que ajudaram a construir barricadas para evitar a aproximação dos policiais.

A CNTE informou que cinco dos mortos eram professores (Andrés Aguilar, de 29 anos; Yalid Jiménez, de 22; Óscar Santiago, de 22; Jesús Cadena, de 19 e Anselmo Cruz, sem idade divulgada). O outro morto durante o ataque foi o repórter local Elpidio Ramos, que fazia a cobertura do confronto para o jornal regional El Sur. 

Por volta da meia noite, a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) emitiu um comunicado informando que serão tomadas medidas cautelares para garantir a adequada atenção médica dos feridos, assim como garantir que a lei seja respeitada “conforme os protocolos e os padrões internacionais, privilegiando a todo momento o diálogo”. A Comissão enviará peritos e pessoal de apoio à Oaxaca para vigiar a legalidade do operações. 

O mesmo estado responsável pelo "desaparecimento" de 43 estudantes em Ayotzinapa, foi o que assassinou os professores por ensinarem ao povo mexicano a lutarem pelos seus direitos em uma forte mobilização contra os ataques à Educação.

Os professores de Sergipe se solidarizam com os professores de Oaxaca e expressam total repúdio ao governo mexicano pela violência não somente contra o magistério, mas também contra todos os trabalhadores que se opõem as medidas governamentais.

Com informações do Brasil de Fato e jornal A Verdade

 

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carolinesantos@oi.com.br (Com informações do Brasil de Fato e jornal A Verdade) Mundo Tue, 21 Jun 2016 03:56:01 +0000