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Aumento do Desmatamento na Amazônia e o Novo Código Florestal

Ligado . Publicado em Roberto Santos

Somente nos meses de setembro e outubro foram registrados 837 km² de desmatamento robertosantosna Amazônia brasileira. Os dados foram apurados pelo DETER-sistema de alerta baseado em satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que verifica a ocorrência de corte raso ou degradação progressiva na Amazônia Legal.


O sistema registra tanto áreas de corte raso, quando os satélites que detectam a completa retirada da floresta nativa nas áreas classificadas como degradação progressiva, que revelam o processo de desmatamento na região. 

Criado pelo Governo Lula, o sistema está em operação desde 2004 e serve para alertar e dar suporte à fiscalização e controle de desmatamento realizado pelos órgãos de fiscalização (Ibama, Ministério Público Federal entre outros). Embora os dados sejam divulgados em relatórios mensais ou bimestrais, os resultados do DETER são enviados a cada quinzena ao Ibama, responsável por fiscalizar as áreas de alerta.

Comparada com o ano passado quando o sistema registrou 575,5 km² de devastação, o desmatamento na região aumentou 45,4%. Segundo os novos dados do Inpe apontam, também, que a detectada em setembro e outubro de 2010 é maior do que a registrada em agosto que foi de 265,1 km².

O Estado que apresentou maior área de desmatamento registrado em setembro e outubro foi o Pará, com 334,2 km².. Rondônia aparece como o segundo mais desmatado, com 154,4 km², seguido por Mato Grosso (130,6 km²), Amazonas (119,8 km²), Maranhão (44,1 km²), Acre (41,1 km²), Roraima (5,6 km²), Tocantins (5,3 km²) e Amapá (0,5 km²).

Os resultados do desmatamento mostram que os grandes produtores rurais, conhecidos como agro negócio não estão nem um pouco preocupados com a preservação ambiental. A pressa deles pela aprovação do Novo Código Florestal (ver matéria nesse Blog) simboliza bem o significado para a natureza da aprovação dessa lei com o conteúdo atual. A defesa dos grandes meios de comunicação, que defendem o agro negócio, pela aprovação da lei mostra que não será bom negócio para a natureza caso essa lei seja aprovada.

Para ambientalistas, cientistas, estudantes e integrantes de movimentos sociais o Novo Código Florestal defendido pelo agro negócio e grandes meios de comunicações gera a flexibilização das leis ambientais e consequentes impactos negativos ao equilíbrio das águas, do solo e do clima, assim como à sobrevivência da fauna e da flora. Segundo os ambientalistas, o projeto prevê redução drástica das áreas de proteção na beira dos rios e dentro das propriedades rurais; a não proteção de topos de morros, várzeas, restingas e outras áreas frágeis; perdão para os grandes proprietários rurais que provocaram desmatamentos ilegais cometidos antes de 22 de julho de 2008; e legalização do uso de áreas de proteção para quem já desmatou antes de 22 de julho de 2008, ou seja, a legalização do crime.

 

Eles dizem que, com tudo isso, milhões de hectares onde a vegetação nativa deveria ser protegida estarão livres para o desmatamento, causando significativa piora na qualidade de vida dos brasileiros. Os prejuízos que as alterações trazem ao meio ambiente e à sociedade são incalculáveis, sendo que o projeto de Lei não tem nenhum embasamento científico. Os resultados das mudanças terão maior incidência de enchentes, deslizamentos de encostas, redução da água potável, alterações climáticas, perda de área agrícola por erosão e aumento de pragas nas lavouras.

 

A pressão dos deputados ruralistas que são financiados pelo agro negócio representa que caso a lei seja aprovada com o conteúdo atual, o Brasil poderá ser um país, em breve sem florestas preservadas. Em breve poderemos chegar à situação atual dos Estados Unidos e países Europeus onde as únicas áreas preservadas são os pequenos parques florestais que em nada contribuem para o equilíbrio climático e manutenção dos rios perenes. O país poderá ter todo seu clima e sua hidrografia alterado com conseqüências imprevisíveis para a atual e as futuras gerações.

Com informações do INPE-Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais